quinta-feira, 14 de outubro de 2010

Desejos e Dentes de Leão


Fechei os olhos e fiz um pedido, todo o ar que eu segurava firme nos pulmões se foi, então eu tive medo de abrir os olhos. Tive medo de saber que dentes de leão não realizam desejos.
Ou talvez meu medo fosse que as pétalas felpudas não tivessem ido embora mesmo com toda a força do meu desejo, e do meu assopro. Seria terrível saber que todas as velinhas do aniversário passado foram apagadas em vão. E na verdade mesmo eu talvez não ficasse tão triste de saber que as velinhas não funcionam, talvez o pedido não fosse assim tão importante quanto o que depositei no dente de leão felpudo.
Alguém me disse um dia, feche os olhos e pense no que quer. Então de olhos fechados pensei. E você me puxou pra perto, estávamos dançando, e a lua havia cedido seu brilho as estrelas, e do alto tantas luzes, na cidade longe dali, estávamos no escuro, cercados de luzes, quantas delas, você me beijou e disse que meu cheiro era bom.
Abri os olhos e vi algumas pétalas sendo carregadas pelo vento, e como me disseram um dia, o vento carregou meu pedido, como na fumaça das velinhas. Eu tinha nas mãos um dente de leão sem nenhuma pétala, e carregava no rosto o meu melhor sorriso. Guardei o que restou do dente de leão, em um livro na estante do quarto, pra que não morresse, afinal se eu não o tivesse não teria como cobrar meu pedido um dia, desejos são meu negócio, no meu departamento meu trabalho é realizá-los, e avaliar todos os dias o quanto me valem os já realizados.
E dos meus desejos talvez você seja o melhor deles e de alguma forma, o mais real dos não realizados, e quem sabe mais real que os já realizados.

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