quinta-feira, 20 de outubro de 2011

Flores Amarelas, Sofá Azul, Mundo do Beleléu

Essa noite me fez lembrar aquela peste de flores amarelas que crescia no jardim da casa que vivi minha infância, e da coleção de joaninhas que eu recolhia delas. Daquele tempo molhado. Daquele frio de gelar os dedos eu ainda carrego um pouco comigo.
Ontem, correndo rápido demais acabei caindo, e minha vida esparramou-se pelo chão. Algumas coisas se quebraram pra sempre, outras estou recolhendo aos poucos. Os joelhos estão ralados.
É hora de deixar de chorar sobre os cacos no caminho e seguir, procurando outro entusiasmo que me faça correr, consciente que vou cair e ralar de novo, e que dessa vez mais coisas se perderão, e as que você salvou da última vez podem não se salvar de novo.
Só me recordo de tempos molhados, onde o sol não aparece nunca, como se a infância fosse um filme em preto e branco. Mas das flores amarelas eu me lembrei, sinto até o cheiro chato que elas tinham, que grudava na roupa. No mais me vejo lá, pequena com um moletom grande demais assistindo TV naquele sofá azul, que hoje não existe mais.
O cheiro de chuva faz parte de mim.
Quero as sete vidas de um gato pra correr anos-luz atrás do amor, que pelo mapa deve morar em Pasárgada, que acredito eu deve ficar no mundo do Beleléu, onde todas as coisas quebradas e perdidas foram parar. Pelo que tudo indica Candyland também não deve estar longe, e lá todas as pessoas que você não vê a um tempão. Nesses lugares os relógios são de gelatina e o tempo se deteriora, passado presente e futuro não existem, e você se encontra em um dia chuvoso assistindo desenho animado no seu sofá azul.

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